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Sem reservas
 

Refilmagem do drama alemão Simplesmente Martha, o drama romântico hollywoodiano Sem Reservas faz gostosa mistura de ingredientes para relacionar as pessoas com a culinária, traçando hábitos e rituais na convivência humana. Em cartaz no Cinemax.

PEDRO MARTINS FREIRE
Crítico de Cinema

Sem Reservas, em cartaz no Multiplex UCI Ribeiro e no Del Paseo, uma refilmagem do alemão Simplesmente Martha (2001), de Sandra Netelback, poderia ir muito além de suas limitadas pretensões de ser apenas uma obra romântica. Falta um toque de emoção e há uma certa frieza no desenvolvimento da história, impedindo uma maior interação do público com o filme.
O roteiro de Carol Fuchs oferece condições para essa comunicabilidade, mas o diretor Scott Hicks, prefere evitá-la, provavelmente temendo descambar seu trabalho para o sentimentalismo. No entanto, o filme mostra-se carente de uma maior emoção.
O historiador inglês Felipe Fernandez-Armesto, em “Comida, uma História” da Comida” (Editora Record, 362 páginas, R$ 55,00), afirma, de saída, que o mundo pode ser encontrado num prato de comida. A sociedade na qual vivemos, o “status” na qual cada um ocupa, o relacionamento com os semelhantes, tudo pode ser definida pela comida a qual cada um ingere.

Corre, ao longo da história romântica entre a belíssima, triste, perfeccionista e no fundo frágil “chef” Kate Armstrong (Catherine Zeta-Jones) e o irriquieto, animado, criativo e impetuoso “subchef” Nick Palmer (Aaron Eckhart, de Obrigado por Fumar), uma articulação de conquista, integrada, igualmente, pela sobrinha dela, a garotinha Zoe (Abigail Breslin, de Pequena Miss Sunshine). Esse processo de conquista reside na comida, aqui elevado a instrumento de sedução.

Nem sempre a paixão pelo trabalho e a vida bem ordenada soam como sinônimos de normalidade pessoal, prega o filme. Às vezes, a vida não é à la carte. Ou seja, nem sempre está no cardápio. Sem Reservas trata da interação humana como um grande rodízio. No início, Kate perde a irmã, sobra-lhe a sobrinha. A convivência com a garota revela-lhe que ela não sabe lidar com ninguém – nem com a patroa, Paula (Patrícia Clarkson), nem com os clientes, mesmo aqueles que fazem questão de cumprimentá-la, e, especialmente com aqueles que não têm o “feeling” para com os seus pratos. Quando ela indica o cachorro-quente da esquina, aponta não para uma questão social, mas aquele ponto tocado por Armesto, a definição da pessoa pela comida a qual ingere.Nick, por sua vez, representa a comunicação, a interação com a cultura, a música, e os semelhantes. Assim, o filme fala sobre perdas e ganhos. E principalmente sobre o aprender a mudar e o abrir o coração e o corpo para obter o verdadeiro sabor da vida: o amor.

Sem Reservas (No Reservations, EUA, 2006), de Scott Hicks. Com Catherine Zeta-Jones, Aaron Eckhart, Abigail Breslin, Patrícia Clarkson e Bob Balaban. 104 minutos. Livre.

Em cartaz no Cinemax

Dias 03 – 20h15; 14 – 15h30; 20 – 20h; e 29 – 22h15.

 

 
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