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Bezerra de Menezes – O diário de um espírito
 

“Bezerra de Menezes: o Diário de um Espírito”, a digna exposição da vida do médico dos pobres, é um sucesso de público ao ser visto por 267 mil pessoas.

“Bezerra de Menezes” chega à quinta semana em cartaz e pode ser considerado um sucesso de público ao contabilizar mais de 267 mil ingressos vendidos. É o segundo filme em exibição no país com menor média de freqüência de público, menos 22%. Com isso, até dezembro, deve fechar sua presença nos cinemas com um público estimado entre 500 e 600 mil espectadores. “Bezerra de Menezes”, o longa-metragem de Gláuber Filho e Joe Pimentel, tem a flagrante intenção de apenas fazer uma síntese da vida do grande cearense. Militar, médico, jornalista, escritor, político e abolicionista, Adolfo Bezerra de Menezes trilhou o solitário caminho da escolha do caminhar, pensar e executar conforme sua consciência. Numa época em que o espiritismo apenas engatinhava com as anunciações de Allan Kardec, visto de forma ignorante e preconceituosa, especialmente pelos católicos, ele ousou converter-se e despojar-se dos bens materiais, dedicando sua existência exclusivamente aos semelhantes. Estava à frente de sua época. Sua defesa do espiritismo, não por menos, o levou a receber o título de “Kardec brasileiro”. Nessa exposição, uma das cenas mais expressivas é a em que o jovem Adolfo, estudante de medicina, envolto na solidão de uma cidade estranha e sentindo na pele a discriminação de ser nordestino, constata estar, também, sem dinheiro para se manter e pagar os estudos. Batem-lhe à porta e um rapaz pede-lhe para que seja seu professor de matemática, oferecendo-lhe dinheiro pelo trabalho. Adolfo recusa: não gosta de matemática e isso irá tirar-lhe tempo dos estudos. Na insistência, o rapaz acaba convencendo-o a aceitar não apenas o encargo, mas igualmente o dinheiro de forma antecipada. A grana, exatamente a quantia que precisava, resolve seus problemas emergenciais, mas o seu aluno jamais reapareceu. É apostando na força da simplicidade de Bezerra de Menezes que o filme também faz a sua exposição tendo por base uma simplicidade narrativa. Glauber e Joe não ousam em imagens criativas, quase não há movimento de câmera – uma grua aqui e acolá, quando muito.

Na verdade, o filme supera problemas com o modesto orçamento de dois milhões de reais – limitadíssimo para uma produção de época. Contorna com competência aspectos relativos ao cenário e figurino. A maquiagem nem sempre, é perceptível o desnível da fotografia em função da “filmagem” em vídeo de alta definição, o qual impôs oscilações na cor e na iluminação, os atores locais impostam-se teatralizados demais... O problema maior, no entanto, situa-se na narrativa, a qual sem unidade, dá saltos no tempo e apresenta os acontecimentos de forma “estanque”. Mas são detalhes técnicos, praticamente imperceptíveis para o grande público. Por outro lado, a força do filme centra-se na figura do homem Bezerra de Menezes, o qual ganha uma interpretação iluminada de Carlos Vereza. Através do ator, o espectador tem a dimensão da personalidade e do caráter do homem admirado como “o médico dos pobres”, numa exposição sóbria das dificuldades financeiras que sempre o acompanharam, a dor da convivência com políticos desonestos e compromissados com a escravidão, a incompreensão da família por sua conversão ao espiritismo, as dissensões entre os grupos espíritas, a chegada serena da morte e o agradecimento, em forma de romaria,  daqueles atingidos com a sua bondade e desapego. “Bezerra de Menezes: o Diário de um Espírito” não é uma obra cinematograficamente moderna, mas cumpre a sua função maior, a despertar o público para a figura ímpar do cearense que abraçou o espiritismo como causa de vida e ação existencial. Um bom filme,

Conclusão da história

Ah, quanto ao episódio narrado no início desta análise, consta que, em 1894, Bezerra foi instigado a aceitar a presidência da Federação Espírita Brasileira, envolta em brigas entre os “místicos” (que tinham o espiritismo como religião) e os “científicos” (estudiosos dos fenômenos). O médico aproveitou para criticar as divergências inúteis e o fato da entidade estar receitando aos necessitados exclusivamente a Homeopatia, a qual ele prescrevia apenas para si, familiares e amigos, a fim de não criar problemas com a classe médica. Bittencourt Sampaio, à frente da reunião, perguntou-lhe porque não se tornava médico homeopata. “Não entendo patavinas de Homeopatia. Uso a dos espíritos, não a dos médicos”, respondeu-lhe. O médium Frederico Júnior, incorporando o Espírito de Santo Agostinho, entrou na conversa, afirmando que os espíritos iriam ajudá-lo na facilitação ao tratamento dos pacientes.

“Como, bondoso Espírito? Tu me sugeres viver do Espiritismo?”, retrucou Bezerra. “Não por certo!”, responde-lhe o Espírito do santo filósofo: “Viverás de tua profissão, dando ao teu paciente o fruto do teu saber humano. Para isso, estudando a Homeopatia, como te aconselhou o companheiro Bittencourt. Nós te ajudaremos de outro modo: trazendo-te, por exemplo, quando precisares, novos discípulos de matemática...”.

Mais informações

Bezerra de Menezes: o Diário de um Espírito (Ceará/Brasil, 2008), de Glauber Filho e Joe Pimentel. Com Carlos Vereza, Lúcio Mauro e Ana Rosa. 88 minutos. Fox. Livre.

Onde assistir

UCI Ribeiro 1 – 13h40, 15h50, 17h50, 19h50 e 21h50
North Shopping – 14, 15h50, 17h40, 19h30 e 21h20.

 

 
Histórico      
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