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Vermelho como céu
 

Baseado na história real de um garoto que ficou cego aos dez anos, “Vermelho Como o Céu” revela como a escuridão da deficiência visual pode ser revertida e transformada numa vida plena de realizações e de inclusão na sociedade.

“Vermelho Como o Céu” conta a história de Mirco Mencacci (interpretado por Luca Capriotti), um garoto de dez anos apaixonado pelo cinema (especialmente “westerns” e aventuras), que fica cego ao manusear uma arma de fogo. A narrativa se ocupa em mostrar a exclusão dele da escola regular e a reclusão no Instituto David Chiossone, uma “escola especial para cegos”. Ali, ao mesmo tempo em que exercita seu aprendizado na escuridão, começa a superar a
intolerância e o preconceito afrontando as regras estabelecidas pelo diretor (vivido por Simone Colombari) da instituição, um religioso cuja crença o leva a adotar o modelo de que as crianças cegas, para evitar mais sofrimento, não devem alimentar ilusões além de suas condições.

A notável história de Mirco, hoje um premiado editor de som do cinema italiano, provocou profundas mudanças na vida dos cegos não apenas em seu país, mas de todo o mundo. Nos anos 70, na Itália, assim como no restante do planeta, as crianças cegas eram impedidas, por lei, de freqüentar a escola regular, sendo mantidas exclusivamente em instituições para deficientes visuais, nas quais a reglete era o elo comunicação com o mundo exterior. A reglete é o instrumento com o qual os cegos aprendem a escrever, o braile.

É a reglete o instrumento de metáfora em “Vermelho Como o Céu”. Ao recusar-se à usá-la, inicialmente, Mirco recusa-se a ser um cego. Ele a usa posteriormente, mas aí já está de posse de algo bem mais precioso do que o instrumento de escrita. Ganha, através de um pequeno gravador, o poder de concretizar o imaginário, dar vida aos sonhos, formalizar o som também como uma forma de arte e transformá-lo numa passagem para retornar ao mundo como uma pessoa comum. Mirco renova a existência dos deficientes visuais condenados pela ignorância dos homens e das lei à exclusão social, dando-lhes a oportunidade de viverem sonhos e exercerem capacidades. Pessoas normais, nada além de normais.

A determinação de Mirco acaba premiada através de duas ações: a de Don Giulio (Paolo Sassanelli), o professor perspicaz capaz de vislumbrar a potencialidade de seus alunos e lutar por eles, e da solidariedade das ruas. É de lá que advém o repúdio à lei estapafúrdia que impede a inclusão dos deficientes visuais na escola e na sociedade. Derrubada nos anos 80, provocou o fechamento das “escolas para deficientes” e permitiu às famílias matricularem seus filhos nas escolares regulares. Esse processo de inclusão social chegou ao Brasil somente dez anos depois, em 1997, e ainda hoje encontra barreiras, intolerância e preconceito.

 

 
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